A diáspora e a fé preservada
Os povos africanos escravizados trazidos para o Brasil entre os séculos XVI e XIX pertenciam a inúmeras nações. Três matrizes se destacam em impacto religioso: Bantu, Iorubá (nagô) e Jeje (fon/ewe).
Bantu
Vindos do centro-sul da África (Congo, Angola), foram a maior parcela demográfica dos escravizados no Brasil. Legado: palavras como Zambi (Deus), macumba, quimbanda, tata, dendê. A matriz Bantu é considerada por muitos estudiosos como a principal formadora da Umbanda.
Iorubá (nagô)
Vindos principalmente da atual Nigéria e Benim. Trouxeram o culto sistemático aos Orixás, incluindo os nomes que hoje reconhecemos: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá, Oxum. Essa matriz é a base do Candomblé Ketu e influenciou fortemente a Umbanda.
Jeje
Do antigo Reino do Daomé (Benim). Cultuavam os Voduns, próximos em conceito aos Orixás. Legado forte em terreiros da Bahia e Maranhão.
Sincretismo como resistência
Proibidos de cultuar suas divindades, os africanos escravizados camuflaram seus Orixás sob nomes de santos católicos — Ogum virou São Jorge, Oxalá virou Cristo, Iemanjá virou Nossa Senhora. Nascia o sincretismo.